Thiago Lacerda: “Fazia curso de teatro porque queria ser gerente de banco”

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com.br)

Thiago Lacerda intérprete superlativo de "Hamlet"
Thiago Lacerda intérprete superlativo de “Hamlet”

SÃO PAULO – Desceu do táxi com uma garrafa térmica e um improvável chimarrão, o qual não se separou um só segundo durante os mais de sessenta minutos de nossa entrevista, na verdade uma deliciosa e surpreendente conversa em que o carioca (por isso estranhei o chimarrão) Thiago Lacerda falou sobre seus 14 anos de carreira e sobre a excelência buscada a cada novo trabalho, seja na TV, no Cinema e no Teatro que considera o verdadeiro local de aprendizado para o ator. À medida que formos publicando os  artigos referentes a esse diálogo, acredito que você, assim como eu, será impelido a admirar tamanha coerência, inteligência e humanidade do ator que, todas as noites, revela indiscutível talento  ao interpretar Hamlet.

Capricorniano de 19 de janeiro de 1978, Thiago Lacerda, nascido na capital do Rio de Janeiro, filho de Jadyr e Marilene, segue o padrão de auto-exigência típico aos nascidos sob esse signo, tanto que entrou para um curso de teatro, de dois anos de duração, porque era muito tímido para se relacionar com clientes, porque desejava ser gerente de banco.

“Comecei errado”, brinca Thiago ao contar do peculiar caminho da breve carreira (14 anos):

“Meu quarto trabalho na TV que me projetou: (Terra Nostra). A projeção me fez querer estudar e fui para o teatro, não era mais só um garoto intuitivo. Antes eu trabalhava por intuição, porque era um trabalho, uma graninha. Fiz Círculo das Luzes, sob direção do Ulisses Cruz, só fizemos temporada no Rio de Janeiro. Falei pro Ulisses: ‘Você tem paciência? Você tem que me ensinar!’ Ele topou. Minha formação é em cena, inclusive em cena aprendi a tomar decisões, decisões de rumo. Penso que deveria ter cumprido etapas, mas eu as cumpro em cena”, conta Thiago Lacerda.

Ele não deixa de ressaltar, no entanto, a importância do ensino para os aspirantes à profissão e credita a cada um dos diretores com quem trabalhou seu aprendizado:

“O Ulisses (Cruz) foi o primeiro e o que me pegou pela mão – me ensinou. O (José) Possi (Neto) me passou um pouco daquela elegância dele e a coisa da música que ele tem muito forte. E o Gabriel (Villela) é importantíssimo. Ele me apresentou a questão vasta do humanismo. E meu encontro com o Gabriel foi em uma época importante: eu fazia dez anos de carreira e estava repensando umas questões. O Ronaldo (Ron Daniels) me deu a dimensão, hoje, do que é um diretor de verdade para um ator. Ele sabe para onde ir, pode até não saber onde vai dar, mas sabe por onde ir”, diz.

Hamlet estreia 22 de fevereiro no Rio de Janeiro.

 

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Thiago Lacerda do princípio à Hamlet – Parte 1

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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