Tradução é destaque de Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?

Da redação do Festival de Teatro de Curitiba 

 

"Quem Tem Medo de Vírginia Woolf?"
“Quem Tem Medo de Vírginia Woolf?”

CURITIBA – Uma das estrelas do espetáculo “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”, da Mostra 2014 do Festival de Curitiba, sem dúvida, é a tradução do original de Edward Albee, feita pelo filho dos atores Zezé Polessa, Daniel Dantas que, ao lado de Erom Cordeiro e Ana Kutner, compõem o elenco. A equipe da montagem passou a maior parte do tempo da coletiva de imprensa, no Memorial de Curitiba, tecendo elogios ao trabalho do tradutor João Polessa Dantas. O diretor Victor Garcia Peralta também destacou a versão para o português.

“Ele não cai na coloquialidade, dá uma voz para os personagens e capta o jogo de linguagem entre cada um deles”, disse Peralta. Daniel Dantas completou: “tem vida própria. Não parece uma tradução”.

Zezé Polessa continua: “Meu filho me ensinou que tradução envelhece. A primeira que li era de 64, quando a peça veio para o Brasil, e a outra era da década de 70, época de censura em que cenas foram cortadas e palavrões eram banidos. Então resolvemos traduzir de novo”.

O desejo de montar a peça, segundo Zezé, veio da necessidade de encontrar um texto pronto depois da trabalhosa adaptação de “Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido”, a partir do livro homônimo da escritora argentina Viviana Gómez Thorpe. Ainda assim, entre aquisição dos direitos, produção e a tradução de “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”, foram três anos de trabalho.

 

Espetáculo – “Quem tem medo de Virginia Woolf?” é um daqueles textos clássicos que nos levam ao teatro. Escrito em 1962 pelo norte-americano Edward Albee, considerado um dos maiores dramaturgos do teatro moderno, o texto tem sua quarta montagem no Brasil. “Quando li a peça fiquei encantadíssima. Tem estrutura dramática perfeita e impecável composição dos personagens”, revela a produtora e atriz Zezé Polessa. “Meu primeiro pensamento nesta leitura foi: ‘está tudo pronto, só preciso me encaixar neste texto maravilhoso’”.

Nas obras de Albee nada é o que aparenta. Situações que começam reais rapidamente entram na esfera da fantasia. Pela maestria com a qual o Albee constrói seus personagens, o texto, escrito há pouco mais de 50 anos, retrata os Estados Unidos na época mostrando o fracasso do “sonho americano” e a tensão existente no país durante a Guerra Fria. Imortalizado no cinema por Elizabeth Taylor e Richard Burton em filme vencedor do Oscar em cinco categorias, o espetáculo mostra até onde podem ir as pessoas para manter seus relacionamentos, tornando o tema ainda atual e de interesse do público.

O cenário é a casa de Jorge e Marta, que recebem os jovens Nick e Mel para um drink após uma festa. São dois casais de diferentes idades, mas com questões em comum. Os anfitriões, casados há mais de 20 anos, vivem uma relação de amor e ódio, na qual um segredo parece unir e, ao mesmo tempo, transformar a vida de ambos em uma grande ilusão. Já os visitantes têm um relacionamento aparentemente perfeito, mas, quando envolvidos nos jogos mentais e sexuais do primeiro casal, deixam transparecer as mentiras que os cercam.

Ficha técnica:

Texto: Edward Albee

Tradução: João Polessa Dantas

Elenco: Zezé Polessa, Daniel Dantas, Erom Cordeiro e Ana Kutner

Direção: Victor Garcia Peralta

Direção de arte/cenografia/programação visual: Gringo Cardia

Iluminador: Maneco Quinderé

Figurinos: Marcelo Pies

Visagismo: Fernando Torquatto

Trilha Sonora: Marcelo Alonso Neves

Produção executiva: Carmem Oliveira

Direção de produção: Giuliano Ricca

Duração: 140 min.

 

QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?

FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA – MOSTRA 2014

Guairão

Dias 3 e 4 de abril – 21h

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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