Triângulo separando amigos

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil

É muito comum casais que se dissolvem e acabam se juntando a amigos e amigas dos antigos companheiros. É esse o assunto de Olhe Pra Trás Com Raiva (Look Back in Anger), de John Osbourne, escrito na década de 1950, pra ver como o tema é antigo.

O autor foi o primeiro entre os ingleses a escrever textos nos quais os personagens não pertenciam à nobreza e à classe AA, mas são burgueses. Esse feito tornou-o o precursor do teatro moderno inglês da época subseqüente, que foi apelidado pela crítica local de The Angry Young Men, grupo do qual o participante mais famoso foi Harold Pinter. 

Essa peça foi adaptada com extrema competência por Marcos Daud para a montagem em cartaz no Teatro Vivo, que fica parecendo bastante atual.

Mas, o que mais encanta o espectador e não deixa o público se distrair nem um minuto é sem dúvida a direção de Ulisses Cruz (que há alguns anos foi diretor, ou se quiserem, carnavalesco de escola de samba carioca, inclusive na avenida). Não dá pra acreditar. O mais conhecido dos discípulos de Antunes de certo modo já é seu sucessor.

Há marcações nunca dantes vistas no teatro paulista, como uma em que a atriz (Karen Coelho) fica mais alta do que seu interlocutor de maneira tão sutil que não se percebe onde ela subiu para criar tal efeito.

O visual do espetáculo é deslumbrante sem concorrer com os atores: o cenário traz a assinatura de Milton di Biasi, os figurinos de Beth Filipecki e Reinaldo Machado e a iluminação de ninguém menos do que Domingos Quintiliano.

Essas qualidades aliadas à brilhante interpretação dos atores (além da Karen Coelho já citada, Sérgio Abreu, Thiago Mendonça e Maria Manoella) tornam o espetáculo verdadeiramente imperdível.

Não deixe de ver.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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