Último dia para conferir o Auto da Índia no RJ

Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)

Auto  da índia. Foto de _    Mario Sousa
Auto da índia. Foto de Mario Sousa

RIO DE JANEIRO – Com o objetivo de fortalecer os laços de intercâmbio entre Brasil e Portugal, a A Cia do Teatro do Bairro, sob a direção de Antonio Pires faz sua última apresentação na cidade hoje (27). Vindos de Lisboa, a companhia já encenou a peça Romancero Gitano no último fim de semana,  e encerra sua estada no Rio de Janeiro com o clássico Auto da Índia de Gil Vicente. O palco do espetáculo é o bucólico espaço do Parque das Ruínas, em Santa Teresa.

O Auto da Índia, peça datada de 1509, uma das obras de maior relevo do nosso mais importante dramaturgo, é o primeiro texto conhecido do teatro português em que se conta uma história, se representa uma intriga, apresentando uma situação na qual se põe à prova tipos cômicos.

Auto da Índia. Foto: Mario Sousa
Auto da Índia. Foto: Mario Sousa

Podemos definir no Auto da Índia em três momentos estruturais: O primeiro corresponde à partida, onde vemos a personagem principal, Constança, denominada de Ama, ansiosa pela partida do marido e temerosa de que ele ainda acabe por ficar em terra. Amoça, sua criada, acaba por anunciar-lhe que ele já vai a caminho da Índia, ficando a ama a desejar que ele nunca mais regresse.

Na segunda unidade, correspondente ao adultério, assistimos ao amor adúltero da ama com um castelhano fanfarrão e um antigo namorado, chamado Lemos. A ama usa de toda a sua habilidade e astúcia para evitar que estes dois amantes se cruzem.

Aspectos intemporais concedem a esta sátira uma inegável atualidade: a falta de respeito pelos compromissos assumidos, o materialismo desenfreado, a hipervalorização dos bens materiais em detrimento de valores mais nobres, a ostentação, o culto das aparências e a eterna infidelidade.

 

GIL VICENTE

(1465 – 1532)

Considerado o fundador do teatro português, marcando o traço de união entre a Idade Média e a Renascença, fixou nas suas peças o justo momento em que as duas formas de cultura se defrontavam. Sua primeira apresentação ocorreu em 1502, quando recitou Monólogo de um Vaqueiro (também chamado de Auto da visitação) no quarto de Dona Maria, esposa de D. Manuel, o Venturoso, na noite em que nasceu D. João III.

 

Sobre Antônio Pires:

António Pires tem desenvolvido um trabalho que pode ser designado como teatro coreográfico, onde o texto e as imagens se fundem e funcionam como se de uma coreografia se tratasse.

Ao longo de seu percurso artístico, tem apresentado trabalhos a convite de várias entidades, mas é na Ar de Filmes/Teatro do Bairro, estrutura de produção que ajudou a consoli;dar, que tem vindo a desenvolver o seu trabalho como diretor artístico.

Encenou textos de Robert Walser, Anna Hartley, Luísa Costa Gomes, William Shakespeare, Gustave Flaubert, Heinrich von Kleist, Federico Garcia Lorca, Gertrude Stein, Gil Vicente, H. Melville, Dário Fo, Luís de Camões, Aquilino Ribeiro,  Cervantes, Goethe, Fassbinder, entre outros.

Recebeu este ano da Revista Time Out Lisboa, o Prémio Melhor Peça de Teatro 2012 por “Tisanas- um Antídoto contra o Cinzento dos Dias”

 

Ficha Técnica e Artística

Produção:  ar de filmes lda

Produtor:  Alexandre Oliveira

Produção Executiva:  Ana Bordalo

Direção: António Pires

Cenário e Figurinos: Luis Mesquita

Elenco Auto da India: Graciano Dias; João Barbosa; Julie Sargeant; Mitó Mendes, Ricardo Aibéo

Serviço

Texto de Gil Vicente

25/01 – sexta às 21h

26/01 – sábado às 21h

27/01 – domingo às 16h

 

Classificação etária :12 anos

Entrada – R$20

Meia entrada – R$ 10

 

Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas

Rua Murtinho Nobre, 169 – Sante Teresa – RJ

Tel. 2215-0621 / 2224-3922

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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