Um casório entre a astúcia e a gargalhada até domingo no SESI

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

Nani de Oliveira, Suzana Alves e Nicolas Trevijano em "O Casamento Suspeitoso"

SÃO PAULO – Restam apenas duas oportunidades, amanhã e domingo, 20h, no Teatro Popular do SESI, para dar vazão ao riso singelo proporcionado pel’ O Casamento Suspeitoso, de Ariano Suassuna, sob direção de Sérgio Ferrara.

Seguindo a mesma linha de outros textos seus como O Auto da Compadecida ou O Santo e a Porca, o paraibano de nascimento, Ariano Suassuna, por sua vez bebe nas águas da commedia dell’arte e outras fontes como Molière e Carlo Goldoni, para dar forma a tipos extremamente brasileiros que habitam o interior do nordeste.

Mesmo sendo de 1957 – e quantas mudanças sociais, tecnológicas, entre outras, parecem nos catapultar a séculos além -, a peça ainda traz consigo a realidade rural e seus valores coronelistas e retrógrados perfeitamente risíveis e reais ainda nos dias de hoje.

O casamento que dá título à peça é o de Geraldo (Joaz Campos) e Lúcia (Suzana Alves em surpreendente composição), uma moça interessada  nas finanças do futuro marido que vê seus  planos maculados pela severa Dona Guida (Beth Dorgan), o protótipo da matriarca desconfiada, e as artimanhas da dupla Cancão (Marco Atonio Pâmio) e Gaspar (um hilário Rogério Brito) que, abençoados por Guida, provocam as confusões para desmascarar a vigarista.

Susana Cláudia, mãe de Lúcia, vivida por Nani de Oliveira, é o grande destaque do espetáculo provocando intensas e seguidas gargalhadas, sobretudo nas cenas com o “carvãozinho de Arapiraca”,  o delicioso Gaspar.

Completa o elenco, dando garantias de momentos divertidos, Nicolas Trevijano, José Rosa, Sonia Maria, além dos músicos Breno Alvarenga e João Paulo Soran.

"O Casamento Suspeitoso"

Os inventivos figurinos são de J.C. Serroni, quem assina o minimalista cenário que, além da concretude das cortinas de chita, do palco azulejado, da eira e beira dos casarões do interior nordestino, traz referencias simbólicas como os mastros com figuras de santos – há até a figura do Padre Cícero que, apesar de não ser beatificado, atrai milhares de romeiros a Juazeiro do Norte –, bandeirolas de festa de São João que combinam com a iluminação simples, festiva  e eficaz de Davi de Brito e Vânia Jaconis.

O Casamento Suspeitoso. Até domingo. Teatro Popular  do SESI. Av. Paulista, 1313. R$ 5 a R$ 10.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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