Um novo espaço dedicado à dramaturgia

Maitê Freitas, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

dccA metrópole paulista ganhou um novo espaço para a discussão de nossa dramaturgia: o DCC – Dramaturgia Concisa Contemporânea, organizado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos em parceria com a diretora e dramaturga Ana Roxo. O encontro da dramaturgia acontece toda última quinta-feira do mês, em quatro edições, sempre às 19h, na sede do grupo (Pompéia).

O DCC propõe um novo espaço para experimentação, reflexão da produção e da dramaturgia contemporânea. Divido em dois momentos: dramaturgia pronta e dramaturgia de improviso, atores são sorteados para lerem textos inéditos trazidos pelos dramaturgos ou escritos na hora, seguido de comentários de especialistas na área. O convidado da noite de estreia foi o teatrólogo José Fernando, da Cia. Teatro de Narradores.

Tudo no DCC acontece ao acaso nos informam. Organizado em duas partes, na primeira três textos são sorteados e atores, que também foram sorteados, leem os textos seguindo uma breve orientação dada na hora pelo dramaturgo. Na primeira edição os textos lidos foram Pedaços, de Ana Guasque, Quando há amor não existem números, de Nicolás Monastério, e Matéria de Sonhos, monólogo escrito por Claudia Pucci.

Enquanto os textos eram lidos, as dramaturgas Luciene Guedes, Lola Madrid e Cecilia Engels, num confinamento-criativo, escreviam em duas horas um texto de cinco minutos para ser lido na hora. Enquanto os textos eram escritos, uma câmera colocada no camarim permitia que o público assistisse, em tempo real,ao processo de criação.

No bar O Balcão, em homenagem ao texto do francês Jean Genet, amendoins ganham os nomes de Montechio e Capuletos, as tortas “pós-dramática e carne trêmula”, os bolos “vestido de noiva e anjo negro”, refrigerante, cervejas e vinho são vendidos a preços populares. No intervalo entre um sorteio e outro o público pode dançar ao som discotecado pelo DJ Eugênio Lima.

Passada as duas horas, os textos escritos foram lidos e o júri popular elegeu o melhor texto de improviso. A primeira dramaturga ganhadora da noite foi a cineasta Cecilia Engels, e o prêmio não podia ser outro: livros!

Correndo o risco de transformar no novo nicho dos artistas de teatro e comprometer a relação com o público, além da proposta inédita, o DCC traz consigo a expectativa eminente de ser um espaço aos novos dramaturgos e atores afoitos pela experimentação e reflexão do fazer teatral. No blog do evento o público tem acesso a trechos dos textos produzidos nas duas horas de confinamento-criativo, as fotos, regras e data dos próximos eventos.

O próximo DCC será no dia 25 de fevereiro. Dramaturgos: tragam os textos! Atores inscrevam-se e não-atores: participem dando sua

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.