Um Tennessee excelente!

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil

Ricardo Gelli e Tales Penteado em "Rosa de Vidro"

A releitura de João Fábio Cabral para a peça Zoológico de Vidro – traduzida por aqui como À Margem da Vida – sintetiza a obra com extrema competência e inclui, ao final, memórias do autor sobre visita feita à irmã alguns anos depois. Rosa de Vidro está em cartaz no SESC Consolação, terceiro piso.

Tennessee teve inúmeros textos montados com enorme sucesso na Broadway e depois transformados em filmes assistidos por milhões de espectadores em todo o mundo.

Os jovens possivelmente não o conheçam, pois morreu em 1986 e talvez tenha sido menos remontado do que merece. A obra que serviu de modelo para a releitura foi seu primeiro grande sucesso.

Além disso, como é autobiográfica, tem no protagonista – o próprio escritor – que por vezes faz cenas como personagem e outras como narrador, pouco comum para a década de 1950. Esse aspecto a transformou em exercício de interpretação obrigatório nas escolas de teatro, muitas vezes também fora dos Estados Unidos.

Não se sabe dizer se originalmente foi escrita para que ele

Júlia Bobrow é a "Rosa de Vidro"

justificasse para si mesmo, para a família ou para o público, o fato de ter deixado mãe e irmã (anteriormente abandonadas pelo pai) viverem sozinhas sem seu apoio.

Vale ressaltar que foi escrita na década de 1940, quando foi descoberto o primeiro remédio para moléstias psiquiátricas, a bipolaridade.

O espetáculo dirigido por Ruy Cortez é impecável graças às suas ótimas marcações, e direção do elenco, bem como aos irretocáveis cenário e figurinos (André Cortez), luz (Fábio Retti) e trilha (Aline Meyer).

Os maravilhosos atores – todos envolvendo completamente a platéias – são: Júlia Brobow, Gilda Nomace, Tales Penteado e Ricardo Gelli

Você não deve perder.

Ficha Técnica
Rosa de Vidro
Livremente inspirado na vida e obra de Tennessee Williams
Dramaturgia: João Fabio Cabral
Direção: Ruy Cortez
Elenco: Julia Bobrow, Gilda Nomacce, Tales Penteado e Ricardo Gelli
Iluminação: Fabio Retti
Sonoplastia: Aline Meyer
Direção de Arte: André Cortez
Operação de Som: Eduardo Alves
Operação de luz: Dênis Miranda
Direção técnica: Paulo Pansani
Produção: Érica Teodoro

Temporada: De 13 de janeiro a 25 de fevereiro de 2011. Quintas e sextas, às 21h.
Duração: 80 minutos.
Recomendação etária: 12 anos.
Preços: R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); R$ 2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
Espaço Beta – 3º andar. Número de lugares: aprox. 55

SESC Consolação. Rua Doutor Vila Nova, 245
Tel.: 3234-3000

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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