Uma celebração ao amor gay

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Diogo Villela e Miguel Falabella protagonizam "A Gaiola das Loucas"

Quando a cortina se abre entra em em cena um dos mais importantes artistas brasileiros. Ele sabe o fascínio que uma frase sua causa naquele enorme público e que (ele) o público está em suas mãos. É  Miguel Falabella que está em cena. Ele já está naquele patamar dos grandes artistas populares brasileiros. Um lugar que já foi de Oscarito, Zé Trindade e Dercy Gonçalves.

Agora, Miguel é o Georges de “A Gaiola das Loucas”. Tem ao  seu lado, um dos atores mais importantes de sua geração, Diogo Vilela. Miguel e Diogo revivem a dupla que outrora fez a glória de Jorge Dória e Carvalhinho, dois dignos representantes da comédia popular brasileira.

Eles são Georges e Albin/ Zazá, o tresloucado casal gay de uma comédia escrita pelo francês Jean Poiret em 1973, e que virou Musical na Broadway nos anos 1980, talvez a década mais difícil da história do movimento gay mundial. Um período em que a homossexualidade estava associado ao  estigma da AIDS.

Uma história que fala de um casal gay que precisa se enrustir, porque o filho de um deles está prestes a se casar com a filha de um político conservador. Trata-se de um tipo de comédia com toques de vaudeville, que foi escrita com maestria por Poiret e, por sua qualidade dramutúrgica, foi montada em vários países e adaptada para os cinemas europeu e norte-americano.

“A Gaiola das Loucas” nesta versão musical significa também um passo a mais no trabalho de Falabella como tradutor e diretor de musicais. Ele que já criticou a ditadura da magreza em “Hairspray”,  agora faz uma celebração da diversidade sexual com “A Gaiola”.

A direção foi assinada conjuntamente com Cininha de Paula, que tem demonstrado uma compreensão do universo de Falabella, visto o bem sucedido resultado da série de TV “A Vida Alheia”

O musical “A Gaiola das Loucas” conta ainda com um excelente Jorge Maya, que sabe muito bem aproveitar o delicioso papel do mordomo da casa. Há também as ótimas Mirna Rubim e Sylvia Massari e os excelentes Carlos Leça e Gustavo Klein.

Há um rigor técnico em todos os números musicais, algo que merece ser sempre lembrado para provar que é possível, sim, fazer grandes musicais brasileiros.

Albin ou Zazá e Georges no cabaré "A Gaiola das Loucas"

E, também, a exuberância dos figurinos de Cláudio Tovar que abrilhantam este grande espetáculo.

Enquanto uma parte da sociedade brasileira é retrocessa à homossexualidade, “A Gaiola das Loucas” mostra-se mais do que uma deliciosa comédia musical. É, também, uma celebração do amor em suas várias formas. E, mais, uma oportunidade de rirmos com a genialidade de Falabella, o que é sempre muito bom.

“A Gaiola das Loucas”

Teatro Bradesco (1457 lugares)
Bourbon Shopping São Paulo – Rua Turiassu, 2.100 – 3º piso – Pompéia
Informações: (11) 3670-4100
Bilheteria: domingo a quinta, das 12h às 20h; sexta e sábado, das 12h às 22h. Aceita todos os cartões de credito e débito. Não aceita cheque.
Vendas pela Internet: www.ingressorapido.com.bre telefone: 4003-1212.

Quinta e sábado, às 21h. Sexta, às 21h30. Domingo, às 19h.

Ingressos: de R$ 20 a R$ 170

Duração: 150 minutos (intervalo de 15 minutos)
Classificação: 12 anos
Gênero: Musical

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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