Uma Relação Tão Delicada

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Daniela Galli e Tania Bondezan em "Ciranda"

Ciranda é a confirmação de Célia Forte como um dos nomes mais expressivos da dramaturgia brasileira contemporânea. Em sua segunda obra teatral (Célia é autora do sucesso Amigas, Pero No Mucho) ela demonstra a capacidade de trabalhar muito bem com recursos sofisticados da escrita teatral.

O cerne da peça está na relação de Lena e Boina, mãe e filha que vivem um relacionamento às turras. Boina é uma executiva sóbria, que condena o comportamento da mãe, Lena,uma mulher libertária, tal qual uma hippie da década de 1970. A partir deste mote Célia, além de abordar os conflitos familiares, faz um belo inventário poético sobre os que lutaram contra a ditadura militar brasileira.

A autora encontrou em José Possi Neto o seu diretor perfeito. José Possi, responsável por belas direções de peças de Maria Adelaide Amaral (e não é difícil perceber o paralelismo do texto de Célia com o teatro da autora) sabe orquestrar com maestria os talentos de Tânia Bondezan e Daniela Galli. Tânia exibe toda a sua força, sua linda voz e uma intensidade cênica admirável. Daniela Galli também demonstra um grande talento na composição das suas duas personagens.

Qual o limite de nosso tempo em comum?

Há, ainda, a deslumbrante cenografia assinada por Fábio Namatame, onde é feita uma homenagem à produção cultural das décadas de 1960 e 1970. Fábio soube explorar ao máximo, e de forma admirável, os referencias iconográficos daquela época.

E é interessante que Ciranda inicie a sua nova temporada no Teatro Eva Herz, no mesmo período que São Paulo recebe o espetáculo Conversando com Mamãe. Tratam-se de duas peças abordando, de uma maneira sensível e delicada, a relação entre mães e seus filhos.

Ciranda, de Célia Regina Forte. Direção: José Possi Neto. Elenco: Tania Bondezan e Daniela Galli.Cenário e figurino: Fábio Namatame. Iluminação: Wagner Freire. Trilha Sonora: Tunica Teixeira e Aline Meyer. Assistente de direção: Eduardo Santiago. Preparação corporal: Vivien Buckup. Pintura de adereços: Antonio Ocelio de Sá Alencar e Jady Forte. Fotos: João Caldas.Produtora: Selma Morente
Serviço: Teatro Eva Herz (166 lugares), Avenida Paulista, 2.073 – Livraria Cultura / Conjunto Nacional.Informações:                         (11) 3170-4059             – www.teatroevaherz.com.br. Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 18h. Ingressos: R$ 40. A partir de 31 de agosto, às quartas e quintas, 21h. Bilheteria: terça a sábado, das 14h às 21h. Domingo, das 12h às 19h. Em feriado, sujeito à alteração. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita cheque. Vendas pela internet: www.ingresso.com. Vendas por telefone: 4003-2330. Duração: 80 minutos. Classificação Etária: 12 anos. Temporada: até 28 de agosto.

Dia 07, quarta feira, feriado, a apresentação será às 18h

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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