Uma tragédia essencial

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Uma das mais acentuadas diferenças entre drama e tragédia é que, na última, o herói avança seu percurso até atingir o reconhecimento. Talvez Édipo, de Sófocles, seja modelar em sua essência, já que o mote da trama é, justamente, o processo de reconhecimento do causador da peste que aflige o povo tebano.

A história já é conhecida pela maior parte do público, o orgulho do protagonista de Édipo não escapa da fúria dos deuses e, em lugar dos louros colhidos ao decifrar o segredo da Esfinge, é assolado por uma manobra do Destino que lhe retira o trono e a paz, sobrando somente o pesado fardo que o oráculo já previra.

O que torna Édipo uma tragédia essencial,  em diversos âmbitos, é a simplicidade como é contada. Enxuta, elegante, num registro de interpretação em que se prioriza o entendimento de cada sílaba do texto bem como sua emissão, a tragédia de Sófocles mostra sua força popular.

É com extremo prazer que fruímos atores do naipe de Elias Andreato (quem assina, também, a direção do espetáculo), Claudio Fontana, Tânia Bondezan, Romis Ferreira, Daniel Maia, Nilton Bicudo e Clóvys Torres.

Nova pérola no tesouro que marca a carreira desses artistas. A peça será apresentada às 21h de hoje, no Teatro Paiol.

*Michel Fernandes viajou a convite do Festival de Curitiba

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

2 Comentários
    1. discordo em absoluto de vc. é simples, bem executada e para burguês, nobre, povo, enfim, qqer humano, pois há indiscutível talento e é acessível a todos!

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