Velha Companhia volta com Cais

 

Da Redação  (redacao@aplausobtasil.com.br)

Velha Companhia volta com Cais
Velha Companhia volta com Cais</>

SÃO PAULO – Duas gerações de uma família que vive na Ilha Grande protagonizam Cais, que a Velha Companhia apresenta no Teatro da memória no Instituto Cultural Capobianco. Com aproximadamente 25 artistas envolvidos, sendo 12 atores e 2 músicos em cena. A companhia convidou o veterano ator Walter Portela, importante referencia do teatro nacional, parceiro de anos de Antunes Filho, tendo participado da lendária montagem do CPT “Macunaína”, para representar o barco Sargento Evilázio. Convidou também Luiz André Querubini do Grupo Sobrevento (referência internacional em teatro de bonecos) pra coordenar o trabalho de manipulação e confecção de bonecos que são usados em algumas cenas.

A peça se divide em dois atos, contendo cada ato dois quadros e se passa no cais da Ilha. Basicamente é contada a história de Waldeci, seu filho Walcimar e seu neto Walciano. Entre elas, várias outras se entrelaçam compondo um painel de acontecimentos que fazem sentido conforme as histórias vão sendo contadas. Isso porque o barco não segue a ordem cronológica a que estamos habituados. Divide as histórias em quadros e vai evocando os acontecimentos segundo sua memória de embarcação, terminando sempre em uma festa de virada de ano.

O cais é um lugar de interseção entre o que é terrestre e o que é marítimo. De lá se parte para uma vida melhor, para escapar de uma realidade opressora. Por lá se chega para conquistar algo novo, para uma vida nova, boa ou má. Um lugar de passagem. Já a virada de ano é o momento em que a maioria dos seres humanos se toma da responsabilidade de rever suas ações e refletir sobre elas, projetando pra o ano que virá a possibilidade de serem seres humanos melhores.

A junção desses dois fatores é que levou o autor a situar a peça nesse ambiente mítico. O que vemos através do espetáculo é o ser humano flagrado no constrangedor espaço que o divide entre suas intenções mais puras e suas ações mais egoístas e pérfidas. Querendo seguir sua consciência, mas influenciado pelo movimento das marés e das tempestades, num limite impossível de definir entre o externo e o interno. A peça trata basicamente da separação que há entre o discurso humano e suas ações.

http://www.youtube.com/watch?v=lc3rGvVGrX8
http://www.youtube.com/watch?v=lc3rGvVGrX8

Marques ainda completa: “Frequento a Ilha Grande desde meus nove anos de idade. Sempre nas férias, que costumavam durar três meses ao ano. É curioso conhecer um lugar visitando-o sempre na mesma época. A distância nos dá a dimensão do tempo. Vi a Ilha se transformar completamente.  Vi chegar a luz, a tevê, o presídio ser implodido, a fábrica de sardinha virar um centro comercial. Vi o barco mais querido do povoado se tornar obsoleto. Muitas histórias. Em 2006 comecei a juntá-las. Propus-me, não só a juntar os fragmentos de memória desses anos todos, como conhecer a história da Ilha. Descobri um lugar de uma riqueza cultural e histórica muito especiais.  O texto que compuz é uma mistura dessa pesquisa e das minhas memórias. Nenhuma das histórias é totalmente real, mas também nenhuma é totalmente fictícia. Todas acompanham, com alguma fidelidade a trajetória histórica do lugar e todas se compõe de coisas que aconteceram realmente, ouvidas ou vividas por mim, mas  costuradas segundo as necessidades da trama que, por si só foi se compondo na minha mente.”

Cais ou da Indiferença das Embarcações

Instituto Cultural Capobianco – Teatro da Memória(30 lugares)

Rua Álvaro de Carvalho, 97, Centro (próximo ao metrô Anhangabaú)

Telefone: (11) 3237.1187

Bilheteria: abre duas horas antes do início do espetáculo, nos dias de apresentação.

Nas quartas e sextas a bilheteria abre das 14h às 18h para venda.

Pagamento em cheque ou dinheiro. Não aceita cartão.

Segundas e Terças às 20h

Ingressos: R$ 30

Duração: 180 minutos (com intervalo de 10 minutos)

Recomendação: 14 anos

Reestreia dia 21 de janeiro de 2013

 

Temporada: até 26 de março

 

Estreou 29 de outubro de 2012

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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