Wagner Moura: “O baiano é muito orgulhoso em ser baiano”

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com.br)

Wagner Moura - foto de Michel Fernandes
Wagner Moura – foto de Michel Fernandes

CURITIBA – Sem sombra de dúvidas, um dos pontos mais relevantes dessa 22ª edição do Festival de Teatro de Curitiba esteve dentro do Fringe, Mostra Paralela, que trouxe sete espetáculos baianos na Mostra Baiana de Teatro, com curadoria do ator Wagner Moura que afirmou pautar-se pela qualidade e diversidade do teatro realizado pelo artista baiano.

“Meu papel é de baiano, é de artista da Bahia, que ama o teatro da Bahia e sente orgulho de ter vindo dali”, afirmou Wagner Moura que considerou essa edição do Festival como “talvez o mais importante panorama do Teatro baiano em um Festival do mundo”, uma vez que, além da Mostra Baiana de Teatro, dentro do Fringe, dois espetáculos soteropolitanos, Breve e O Diário de Genet (CLIQUE AQUI para ler crítica do espetáculo), estiveram presentes na Mostra Oficial.

“Este é de fato o Festival mais importante de teatro, talvez, da América Latina. O fato de isso ser um terreno de muita visibilidade para quem faz teatro no Brasil é significativo que a Fundação (Cultural do Estado da Bahia, Funceb) tenha trazido a mostra para cá. Minha função é de quem ama o teatro da Bahia, é de quem tem orgulho daquele teatro, é de quem veio daquele cenário. Eu vim dali. Muitos artistas que estão aqui já trabalharam comigo, foram meus colegas. Outros, pessoas que eu admirava quando via em cena, outros mais jovens. O meu papel é esse de um cara que tem orgulho de mostrar isso para as pessoas”, disse Wagner Moura, que esteve duas vezes no Festival de Teatro de Curitiba como ator, em A Máquina e Dilúvio em Tempos de Seca, e como cantor, em show de sua banda Sua Mãe.

Um dos pontos em comum dos espetáculos vistos na Mostra Baiana de Teatro é o reconhecimento e respeito à ascendência cultural africana, evidenciada em Sirê Obá – A Festa do Rei, do Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA), e Áfricas, espetáculo do Bando de Teatro Olodum, que colocam como protagonistas os Orixás, deuses africanos cujos mitos de iniciação são encontrados no ritual do Candomblé, herança religiosa africana preservada pelos quatro cantos do país.

Wagner Moura - foto de Michel Fernandes
Wagner Moura – foto de Michel Fernandes

“O baiano é muito orgulhoso em ser baiano. Então, é evidente que os espetáculos que trazem em sua temática um tem um coeficiente de ‘baianidade’ evidente. Isso faz parte da estética do Bando de Teatro Olodum. Não só a questão da negritude. Mas assim da coisa da Bahia, do jeito do baiano independentemente do valor que o Bando tenha como instituição do Teatro baiano, é uma coisa que você vê e diz: ‘É legal levar para outros lugares pras pessoas assistirem’. Sirê Obá é um espetáculo sobre o candomblé, mas tem ali a Bahia por ser a terra do candomblé. De forma geral, mesmo os espetáculos que não estão antenados com uma estética claramente representativa da Bahia, nos dão muito orgulho porque é a Bahia antenada com o resto do mundo”, pontua.

Wagner Moura ressaltou sua opção pela diversidade relativa aos formatos das peças apresentadas na Mostra Baiana dentro do que considerou de melhor entre as produções apresentadas em Salvador.

*Michel Fernandes viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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