Walderez de Barros protagoniza Hécuba sob direção de Gabriel Villela

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

Elenco de "Hécuba" - foto de João CaldasSÃO PAULO – O espetáculo que estreia para o público amanhã, no Teatro Vivo, Hécuba, de Eurípedes, é fruto de paixão de mais de quatro anos, quando o diretor Gabriel Villela dirigiu uma leitura dramática da tragédia grega e reascendeu seu desejo por debruçar-se sobre um texto do “trágico dos trágicos”, conforme o define Aristóteles. No papel da “mater dolorosa pagã”, a rainha de Tróia, agora escrava dos gregos, a superlativa atriz Walderez de Barros.

A narração do prólogo feita pelo fantasma de Polidoro (Luiz Araújo) – filho mais novo de Hécuba (Walderez de Barros)  e Príamo (rei de Tróia, morto durante a invasão da cidade pelos gregos), confiado a Poliméstor (Fernando Neves), rei do Quersoneso Trácio, que mata o garoto, assim que  se confirma a queda de Tróia, para apoderar-se dos tesouros trazidos com ele – é só o primeiro episódio trágico a ser enfrentado por Hécuba.

Antes de ela defrontar-se com o cadáver do filho, mais um golpe massacra sua humanidade, o heroi grego, Aquiles, morto na Guerra de Tróia, surge evocando o sacrifício de uma virgem troiana em seu sepulcro: Polixena (Nábia Villela), filha de Hécuba, é escolhida e quem traz o édito é Odisseu (Flávio Tolezani).

Walderez de Barros protagoniza "Hécuba"

Morta Polixena e autorizada as libações para o sepultamento da virgem, Hécuba descobre o corpo de seu filho e dirige todo seu ódio a Poliméstor e autorizada por Agamemnon (Léo Diniz), grego que lidera os vitoriosos, vinga-se.

Hécuba narra o infortúnio de uma mulher que teve uma prole de herois. Essa mulher é tão periodicamente humilhada que a morte a conduz para uma vingança. Ela direciona a fúria e abre um discurso ético forte contra Poliméstor que após ter os filhos esquartejados e seus olhos arrancados pelas troianas enfurecidas toma proporções proféticas e prevê o futuro em que Hécuba tornar-se-á uma cadela negra de olhos flamejantes”, conta o diretor Gabriel Villela, que também assina adaptação e figurinos do espetáculo.

No universo sagrado das máscaras

"Hécuba"

Para conceber o universo sagrado que busca imprimir em Hécuba o diretor, entre outros recursos, utiliza máscaras gregas, orientais, além das máscaras Incas, povos latino-americanos tidos como “bárbaros” pelos colonizadores europeus, que pesquisou quando esteve no Peru.

“Para a transformação de Hécuba na ‘cadela negra de olhos flamejantes’ peguei uma máscara Inca bem parecida com o estilo grego. Ela tem cara de macaco, trabalhada em ouro – bem essa coisa de parte animal parte homem”, conta Gabriel, que afirma que a máscara “dá unidade ao coro”.

Para o ator Marcello Boffat, o Corifeu, “o uso da máscara é bem interessante, provocando a anulação de identidade. A minha timidez fica calcada ali. Com a máscara é a intenção vocal que permite ao ator cinco mil facetas”.

Gabriel Villela atenta para a potência da máscara em direcionar e ampliar o olhar da plateia, bem como “recuperar um costume antigo grego de os homens interpretarem também papéis femininos”.

Walderez de Barros usa uma máscara oriental feita por pó de arroz branco que ressalta a própria expressividade do rosto, e ressalta, ainda, a concepção de figurino como alicerces na criação do personagem.

“Sempre estou utilizando máscaras quando represento um papel, porque mesmo antes de máscara e figurino, estou construindo uma máscara interna para o personagem”, conclui Walderez.

Ficha técnica

Texto – EURÍPIDES. Tradução – MÁRIO DA GAMA KURY – Direção, Adaptação e Figurinos– GABRIEL VILLELA. Assistência de direção – CÉSAR AUGUSTO e IVAN ANDRADE. Elenco– Walderez de Barros, Flávio Tolezani, Fernando Neves, Luisa Renaux, Léo Diniz, Luiz Araújo, Rogério Romera, Nábia Villela e Marcelo Boffat Cenografia – MÁRCIO VINÍCIUS. Adereços – SHICÓ DO MAMULENGO. Desenho de luz – Miló Martins. Preparação vocal – BABAYA.Antropologia da voz – FRANCESCA DELLA MONICA. Direção musical e arranjos vocais – ERNANI MALETTA. Preparação corporal – RICARDO RIZZO.

Serviço

Teatro VIVO – Av Chucri Zaidan, 860, Morumbi. HÉCUBA – De 18 de novembro a 18 de dezembro. Teatro Vivo. Temporada. sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 20hIngressos: R$ 40,00 às sextas e domingos e R$ 60,00 aos sábados – http://ingressorapido.com.br. Fone- 4003-1212, ou diretamente na bilheteria do teatro. Duração: 60 min. Capacidade do teatro: 290 lugares. Classificação etária 12 anos. Estacionamento com manobrista: R$15,00 (só dinheiro) Bilheteria: aberta de terça a quinta  das 14h às 20h e  de sexta a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Tel: 7420-1520 Aceita todos os cartões.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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